ZingTruyen.Xyz

𝐕𝐀𝐋𝐔 ✓ • 𝐒𝐓𝐔𝐏𝐈𝐃 𝐖𝐈𝐅𝐄 •

37

ThaisHyuuzumaki


— O que acha desse aqui?

Desvio o olhar das roupas a minha frente e olho para minha melhor amiga parada a alguns metros de distância com um vestido vermelho em suas mãos. Analiso a peça e faço sinal para ela virar o vestido. Um sorriso de aprovação nasce em meu rosto, esse é perfeito para ela.

— Esse é bonito. Vai caber em você?

— Vou fingir que você não me chamou de gorda, Karla Luiza! – Dinah rebate raivosa, solto uma risada nasal. — Eu vou ir lá experimentar.

E simplesmente saí em direção aos trocadores. Sigo-a, procuro um lugar para me sentar, mas não encontro nada, então; opto por encostar-me na parede ao lado do trocador que Dinah está se trocando. Hoje ela praticamente me arrastou para vir fazer compras com ela, porque nenhuma roupa estava cabendo nela mais. É um dos efeitos da gravidez, sua barriga está aumentando assim como as curvas dela.

Ainda bem que ela não pode ler pensamentos.

Olho em volta, tem muitas grávidas nessa loja. Por alguns segundos imagino Lauren com uma barriga enorme. Ela provavelmente ficará ainda mais bela. As bochechas mais cheias, um pouco ruborizadas, os braços e as pernas gordinhos. Mal vejo a hora de poder ser contemplada com essa imagem. Não existe nada mais bonito que uma mulher grávida. Ainda mais a minha mulher.

Eu provavelmente irei me apaixonar mais por ela.

Continuo criando imagens da minha esposa grávida até que sinto o celular vibrar no bolso de trás da minha calça, pego o aparelho e desbloqueio a tela. Não é surpresa alguma ver "Mi Suerte" ali. Ela parece ter algum sexto sentido que sabe quando estou pensando nela.

"Oi pequena, já sinto sua falta"

Existe alguma forma dela ficar ainda mais fofa?

"Eu estava pensando em você agora"

"Sério? Pensando o que?"

"Lembrando de terça"

"Oh... Eu não consigo esquecer, sabia? Ainda sinto seus toques, e o seu gosto na minha boca"

Mordo o lábio para não suspirar, olho brevemente em volta apenas para certificar-me de que ninguém está olhando.

"Minha bunda sente falta das suas mãos. Minha boceta sente falta dos seus dedos"

Sorrio com malícia, provavelmente Valentina deve estar se contorcendo nesse momento. É bom provocar ela.

— Será que você pode parar de sorrir para a tela desse celular e me dar sua opinião?

Levo um pequeno susto ao ouvir a voz de Dinah e quase derrubo o celular no chão. Coloco uma mão sobre meu peito e levanto a cabeça, deparando-me com Dinah parada em frente a mim.

— Quer me matar?

— Na verdade eu quero sim. – Abro a boca horrorizada por ela ter falado tão sério. — Estou a horas te chamando e você parece entretida demais. O que tanto vê aí?

— Uh, nada. – Bloqueio a tela rapidamente antes de ela ler as mensagens. Dinah ergue uma sobrancelha e me olhar desconfiada. — Esse ficou bonito.

— Você acha que engana quem tentando mudar de assunto? – Finjo confusão. — Nem adianta fazer essa cara de sonsa. Estava trocando mensagens com a sua esposa? – Pressiono os lábios, sinto vontade de bater ao sentir minhas bochechas ruborizando. — Oh meu Deus, vocês são duas pervertidas.

— Nós só estávamos conversando.

— Sobre sexo.

— Fala baixo, Dinah. – Repreendo-a, olhando em volta. Por sorte não tem ninguém perto. — Já escolheu o que você vai levar?

— Na verdade sim, podemos ir comer alguma coisa agora se você quiser. – Ela diz e eu quase suspiro aliviada. Quase, porque o que ela diz a seguir me faz desejar estar morta. — Ou eu posso te deixar na galeria para você comer sua esposa pessoalmente.

Por que ela gosta tanto de me envergonhar?

****

Já estava anoitecendo quando finalmente Dinah resolveu parar de andar pelo shopping e decidiu voltar para casa. Segundo ela, seus pés já estavam a matando. Se ela soubesse que os meus também. Mas imagina que para ela deveria ser pior, afinal, tem uma pessoa crescendo em sua barriga. Já tive lembranças de estar grávida do Leo, diversas vezes. Conheço a sensação de ter uma criança dentro de mim, mas graças a Deus não me lembro de ter sofrido com dores e cansaço. Imagino que para Valentina deve ter sido uma pequena tortura me ver reclamando de dor o tempo todo.

Agora me imagino como será quando ela estiver grávida do nosso segundo filho.

Irei ser o mais cuidadosa possível, tratá-la com todo carinho e amor do mundo. Não quero vê-la sofrer com dores ou coisas assim. Também espero que seus enjôos não sejam frequentes. Céus! Ela nem está grávida e eu já estou fantasiando tudo isso. Mas não posso controlar.

Não consigo esperar pelo momento de vê-la carregando nosso bebê.

Eu serei a mãe e esposa mais coruja do mundo. Isso é um fato.

— Sua esposa já está em casa.

Dinah comenta e eu prontamente olho para a garagem da minha casa, onde o carro de Valentina está estacionado atrás do meu. Um sorriso surge em meus lábios, senti falta dela. É bom voltar para casa e encontrá-la, não sei se suportaria esperar ela voltar.

— Ainda bem.

— Mal pode esperar para realizar as coisas que você estava falando nas mensagens? – Eu olho apavorada para ela. Será que ela leu alguma coisa? — Nem adianta me olhar dessa maneira, eu conheço você, conheço sua esposa também. Vocês são duas pervertidas.

— Ei!

— Você sabe que não estou mentindo. – Solta seu cinto se segurança, rindo. Reviro os olhos. — Talvez eu devesse virar lésbica para saber se é tão legal ter a vida sexual ativa dessa forma que a de vocês duas é.

É maravilhoso!

— Por que não experimenta? – Provoco e olho para ela.

— Talvez porque eu esteja grávida. – Aponta para sua barriga. — E porque eu amo muito o meu marido. Mas se ele sugerisse que gostaria de me ver com uma mulher, talvez eu fizesse isso. Por ele.

— Por ele, né? Sei.

— Cala a boca. – Tira a chave da ignição e abre a porta. — E pode tirando esse sorriso da cara.

— Não tem sorriso nenhum aqui. – Me defendo rapidamente e saio do carro. Fecho a porta e ajeito minha roupa, olho para Dinah e a vejo me encarando desconfiada. — Vai ficar me olhando agora? É você que está curiosa sobre o sexo lésbico.

— São os hormônios da gravidez. – Rebate em sua defesa.

— Claro que são.

Debocho e ela abre e fecha a boca, em busca de algo para responder. Quando não consegue falar nada, Dinah revira os olhos e bufa, caminhando em direção a minha casa. Coloco as mãos nos bolsos e observo minha melhor amiga marchando até a porta de entrada da minha casa.

Se ela soubesse como o sexo lésbico é maravilhoso, não iria querer outra coisa.

****

Retiro meus sapatos e o casaco que estou vestindo,  pendurando-o no cabide em seguida. Vou em direção a sala, mas paro no lugar ao ver uma Dinah inclinada sobre o sofá. Aproximo-me intrigada, mas logo posso ver o que ela está aprontando. Valentina dorme tranquila toda encolhida no sofá, sua boca está entre aberta e Dinah enfia alguma coisa ali.

— Deixe-a, Chee. – Repreendo-a, mas Dinah me ignora.

— Espera... Ela vai acorda em, três, dois... Pronto.

Salta para longe de Valentina quando minha esposa abre os olhos e caí para o lado, as duas mãos estão em seu pescoço enquanto ela tosse sem parar. Sinto-me penalizada vendo seu rosto ganhar uma forte coloração vermelha. Dinah gargalha vendo a reação de Lauren, eu fico apenas observando.

— Mas que... – Valentina simplesmente não para de tossir. Entorto a boca, culpada. — Luiza? Dinah? Que porra foi isso?

— Eu não tive nada a ver com isso. – Me justifico, fazendo sinal de rendição. — Foi coisa da Dinah.

— Estava tentando me matar sufocada? – Dramatiza, dessa vez tossindo menos que antes. Ela tenta se levantar do chão e olha para Dinah, o olhar ameaçador. — Eu vou matar você, idiota!

— Vai ser bem engraçado ver você tentar. – Debocha e cruza os braços.

— Valentina, não esqueça que ela tem um bebê na barriga.

— Salva pelo meu sobrinho. – Levantou-se do chão, fuzilando minha melhor amiga com os olhos. Dinah apenas sorriu. — Oi, pequena.

Vem em minha direção e segura meu rosto com suas mãos, logo selando nossos lábios. Não fico satisfeita com apenas isso, agarro seu pescoço e aprofundo o beijo. Valentina solta uma lufada de ar e abre a boca, permitindo que eu enfie a língua em sua boca. Ouço um pigarrear de garganta, mas não me importo, apenas quero matar a saudade da boca de minha esposa.

— Vocês podem pelo menos esperar eu ir embora para realizarem suas fantasias? – Valentina quebra nosso beijo e sela nossos lábios uma última vez. — Meu Deus, vocês parecem um casal de coelhos.

— Isso se chama inveja, Dinah Jane. – Valentina implica, virando-se para olhar minha melhor amiga. — Quer um pouco também?

— Valentina!

Bato em seu braço para repreendê-la, ela sorri e me puxa para seus braços. Fica atrás de mim, me abraçando por trás e seu queixo apoiado em meu ombro esquerdo.

— Muito obrigada, mas não estou nem um pouco a fim de descobrir qual gosto a boceta da sua esposa tem.

— Tem gosto do paraíso.

— Valentina Michelle! – Tento me desvencilhar de seus braços. Minhas bochechas quentes e, eu tenho certeza que meu rosto parece uma pimenta no momento. — Vocês são duas idiotas.

— E você é chata demais, Chan.

— Tia Bear!

Os passos apressados na escada apenas denunciam que meu filho está correndo para cumprimentar Dinah. Valentina gira o corpo a tempo de vermos nosso pequeno filho correr em direção a sua tia.

— Meu amor. – Ela bagunça seus cabelos, Leo sorri para Dinah enquanto a agarra pelas pernas. — Que saudade.

— Mãe, olha o que eu achei. – Ele diz e salta para longe de Dinah, ergue a mão e mostra o que parece ser um batom, ou caneta. — Um batom que vibra.

Se eu puder definir minha reação ao ouvir isso, eu só posso dizer "chocada". Abro e fecho a boca buscando alguma coisa para dizer, Valentina parece ter a mesma reação que eu e me solta.

— Opa, acho que essa é a deixa para eu ir embora. – Dinah diz e eu lanço um olhar para ela, impedindo-a de sair da sala. — O que? Vocês duas que tem que se explicar, eu sei bem o tipo de “batom” que é.

— Isso é coisa sua. Você comprou aquelas coisas!

— Minha? – Leva uma mão ao peito e finge estar ofendida. Sonsa. — Eu não comprei isso, e acredite, eu lembraria se tivesse comprado.

— É... – Valentina balbucia e eu me solto dela.

— Isso é seu? – Olho para Valentina, ela pressiona os lábios, sem saber o que responder. Estou incrédula. — Que bom que ele chamou por você, porque é você quem vai dizer o que esse “batom” é.

Seu rosto fica ainda mais pálido que o normal, atrás de mim Dinah solta uma alta gargalhada. Eu olho para meu filho, que inocentemente encara a todas nós, confuso.

— Esse garoto vai cresceu traumatizado. Vai precisar de anos de tratamento psicológico.

Dinah diz rindo ao passar por mim. Nego com a cabeça, embora eu saiba que ela pode estar certa. É capaz do meu filho realmente crescer traumatizado. Começando pelo fato dela já ter mostrado um documentário de orangotangos acasalando para ele.

Pobre Leo.

**

Estou quase cochilando com os carinhos que Valentina faz em meu couro cabeludo. Depois que Dinah foi embora, com alguma desculpa minha esposa conseguiu desviar do assunto sobre o "batom" com Leo e o levou para o quarto. Subi para tomar um banho e trocar de roupa, depois desci para passar um tempo com meu amor. Era bom passar momentos assim com ela, sem segundas intenções, apenas nós duas se curtindo enquanto assistirmos televisão.

Agora aqui estou eu, encolhida no colo dela. Valentina me segura como se eu fosse um bebê, o casaco – dela, vale ressaltar, que estou vestindo, subiu, deixando minhas coxas expostas. Fato esse que pareceu animar minha esposa, já que vez ou outra ela as acaricia. Mas estou cansada demais para não resistir aos encantos dela, ter andado por praticamente todo o shopping, acabou comigo de verdade. E Dinah não é lá uma boa companhia para compras. Porque sabe, ela adora gastar. Muito.

— Quer subir? Você está quase dormindo aí.

— Não. – Rapidamente abro os olhos, piscando algumas vezes para focalizar minha visão. — Quero terminar de assistir o filme com você.

— Você já perdeu boa parte dele, bebê. – Um sorriso surge em meus lábios, tanto pela forma que ela acaba de me chamar, quanto pelo tom doce de sua voz. — Podemos assistir lá no quarto, ou tentar. Se você não dormir.

Ela brinca e eu acabo rindo. Valentina se estica para pegar o controle caído no chão. Continuo com a cabeça deitada em seu colo, agarrando sua blusa. Minha esposa desliga a televisão e passa um braço por trás de meus joelhos, pega impulso e levanta do sofá comigo.

— Não precisa me carregar, amor. – Resmungo meio sonolenta, o que faz minha mulher rir.

— Shhh. Deixe-me mimar você enquanto eu posso. – Beija o topo de minha cabeça. Sorrio, como eu poderia negar algo dela mesmo? — Eu adoro quando veste meus moletons, ficam maravilhosos em você.

— Eu sei que sim.

— Principalmente os do Madrid. – Sobe as escadas com calma para não me deixar cair. — Esqueci de apagar as luzes da cozinha, me espera aqui? Já volto para terminar de te levar para o quarto.

Pede e me coloca no chão, estamos no corredor do segundo andar. Valentina beija minha testa e faz menção de se afastar.

— Vou te esperar no nosso quarto.

— Não! – Exclama e eu a olho com uma sobrancelha arqueada. — Espera aí.

— Okay. – Concordo por fim e encosto-me na parede. Esperando ela voltar.

Fecho os olhos e inclino um pouco a cabeça. Concentro-me em ficar acordada esperando minha esposa. Estou quase pegando no sono quando as luzes do corredor são apagadas, os passos leves, porém audíveis, ficam cada vez mais próximos. Sorrio sem bem me dar o trabalho de abrir os olhos, sei que é Valentina ali, e seu perfume no ar apenas confirma.

— Sabia que... Você é linda até no escuro.

— Sou? Você nem está me enxergando. – Abraço seu pescoço, Valentina me puxa um pouco para frente pela cintura.

— Eu não preciso. Conheço cada detalhe de você. – Sinto meu coração acelerar gradativamente. Eu simplesmente adoro quando ela fica dessa forma apaixonada repentinamente. — Sua pele está mais macia.

— Foram os sais novos que eu comprei. – Suspiro ao senti-la depositar beijos em meu queixo. — Os trouxe pensando em você. Gostou?

Agarro-me em seus ombros e prendo um gemido ao senti-la sugar a pele atrás da minha orelha. Suspiro quando ela raspa seus dentes naquela região. Céus!

— Adorei. – Sussurra em meu ouvido, seu quadril pressionando o meu. — Cheirosa. Coloca sua perna no meu quadril.

— Vamos para o quarto. – Tento me soltar dela, mas Valentina pressiona o corpo contra o meu, impedindo-me de sair dali.

— Eu quero você aqui. – Puxa minha perna esquerda para cima, a outra mão desliza em minha barriga por debaixo da blusa. — Hmm, eu acho que você está gostando disso.

Murmura alisando-me por cima da calcinha ainda.

— Minha esposa é uma tentação, impossível resistir.

— Oh, eu entendo você. – Seus dedos habilidosos puxam minha calcinha para o lado, deixando-me exposta para que ela possa explorar a região pulsante entre minhas pernas. Pressiono os olhos ao senti-la me tocar, de leve, apenas alisando meu clitóris com a ponta do dedo. — Vou te fazer gozar rapidinho. Depois quero tomar um banho com você e experimentar os tais sais.

— O–kay.

É tudo que consigo responder, seus dedos me fazem esquecer até o meu nome. Valentina desliza um dedo para cima e pata baixo, entre os lábios menores, recolhendo minha lubrificação. Ela gira o polegar em meu clitóris enquanto brinca com um dedo em minha entrada.

— Eu amo a forma que você aperta meus dedos.

Murmura entre dentes enquanto me penetra lentamente. Fico na ponta do pé, um arrepio sobe por minha espinha. Sinto seus dedos tocarem os pontos certos, a melhor sensação do mundo. Mordo o lábio para não gemer alto e acordar nosso filho. Valentina gira os dedos e fica quase impossível segurar o gemido. Ela repete o movimento duas vezes antes de puxar o dedo para trás e começar a me penetrar com uma rapidez assustadora.

Estava tão concentrada no prazer que ela está me proporcionando e em não gemer alto, que quase dei um grito ao ouvir uma porta ser aberta. Não precisa ser um gênio para saber quem acabou de acordar. Arregalo os olhos, Valentina não parece ter ouvido e beija meu pescoço enquanto continua me penetrando.

— Valentina! Valentina! – Sussurro em seu ouvido e tento afastá-la pelos ombros, mas acho que ela pensou que eu estou gostando, pois eu sinto seu sorriso sobre a minha pele. — O Leo-Merda... Nosso filho. Valentina! Para.

— Só vou parar quando você gozar.

— Não! Valentina. Para com isso! – Tento afastá-la de mim, mas falho mais uma vez. Reviro os olhos, quase a deixando terminar o que começou. Mas quando olho para o lado e vejo a sombra de Leo vindo em nossa direção, meu coração parece que vai explodir. — O Leo! Valentina!

Ela finalmente parece me ouvir e para de movimentar seus dedos. Olha para o lado e  parece ficar tão tensa quanto eu, tanto que sinto seu corpo enrijecer. Tento me soltar dela, mas contrariando sua própria reação, Valentina pressiona o corpo contra o meu e volta a movimentar os dedos, bem devagar, como se não quisesse me machucar, ou fazer algum barulho.

— Que porra você acha que está fazendo?! – Rosno para ela, Valentina cola o máximo seu corpo ao meu; quase a impedindo de mover os dedos.

Dinah tem razão, Leo vai crescer traumatizado.

— Shhh! Ele está dormindo, só não faz barulho.

— Para com essa merda, Valentina. Será que você não tem ju...

Sua boca interrompe a minha fala, ela enfia a língua sem nem ao menos esperar que eu abra minha boca totalmente. Tento me afastar, mas ela força o beijo, sugando meus lábios com vontade. Alarmada olho para o lado, apenas para ver Leo virar-se em direção ao meu quarto e de Valentina, logo abrindo a porta.

— Eu disse que ele está dormindo.

— Sua put-ah! – Ela mete mais forte, cortando minha fala. — Me faz gozar logo antes que ele acorde.

— Pode deixar, amor.

Afasta-se de mim e retira os dedos da minha boceta, estou prestes a reclamar quando ela se ajoelha em frente a mim. Seguro em seus cabelos antes mesmo dela se posicionar, Valentina coloca uma perna em seu ombro e puxa mais minha calcinha para o lado.

**

Depois de gozar duas vezes, sim, duas vezes. Porque a minha querida esposa não sabe se controlar e parece desconhecer o significado da palavra "pare". Ela me ajudou a ficar apresentável antes de voltarmos para o quarto.

— Cadê ele? – Pergunto a Valentina quando já estamos no quarto, tudo está meio escuro e nenhum sinal do Louis.

— Na cama, amor. – Ela responde e aponta para o pequeno monte na beirada da cama.   — Vou levar ele de volta para o quarto dele.

— Não. – Seguro em seu braço e Valentina me olha sem entender. — Deixa ele dormir com a gente. Só tira ele dali, ou vamos machucá-lo. Vou tomar banho e já volto.

— Eu queria entrar na banheira com você. – choraminga.

— Fica para a próxima, amor.

Seguro em seu rosto e lhe dou um beijo rápido antes de sair dali. Preciso de um banho urgente.

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Depois do banho eu saio do banheiro, já vestida e cheirosa. Noto que um dos abajures está aceso, e na cama minha esposa e meu filho parece dormir profundamente. Os dois estão abraçados, Valentina de barriga para cima e Leo ditado sobre ela. Sorrio para a cena, eu tenho uma bela família.

Caminho até a cama e retiro meus chinelos antes de subir no colchão. Entro debaixo das cobertas, me arrasto até eles e estico a mão para apagar a luz. Depois puxo um braço de Valentina para baixo e deito minha cabeça sobre ele, ela automaticamente me envolve e puxa-me para perto.

Fecho os olhos já sabendo que não demoraria muito para que eu pegasse no sono.

**

É sábado de manhã. Estou sentada na varanda, mais precisamente em uma rede que Valentina comprou. Um cobertor aquece meu corpo e eu estou observando minha esposa e meu filho brincando com a neve acumulada no quintal. O dia amanheceu com 3° negativos, mas não está tão frio agora e os dois resolveram se divertir. Optei por apenas ficar ali olhando eles se divertirem.

Em momentos como esse é impossível não pensar em como será melhor ainda com nosso segundo filho, ou filha. Penso também se eu vou saber ser uma boa mãe. Até alguns meses atrás eu tinha certeza que estava louca e sonhando, não faço ideia de como cuidar de um bebê. Sei cuidar de Leo porque ele já é grande, um garoto esperto e não dá trabalho algum. Mas e com um recém nascido? Isso é bem assustador pensar. Tudo bem que já cuidei de Sofia quando ela era um bebê, mas eu tinha a ajuda de Ally e meus pais, agora com um filho meu, eu não terei ajuda de ninguém.

Bem, por sorte eu sou casada com uma mulher exemplar. Ela quem irá me guiar em tudo.

Ouço a gargalhada de meu filho e volto a focar minha atenção nos dois. Valentina o joga para cima, Leo parece adorar isso já que pede por mais. Sinto-me preocupada que um dos dois possa se machucar, mas eles parecem estar se divertindo. Não me lembro de algum momento durante a minha adolescência em que eu me senti tão feliz e completa como tenho me sentido ultimamente.

— Valentina! – Levanto da rede em um salto o que aquela idiota está prestes a fazer. Ao ouvir meu grito, ela se vira e me olha confusa. — O que acha que está fazendo?

O vento frio bate contra meu corpo aquecido, mas ignoro, caminhando à passos largos em direção a ela. Leo e Valentina trocam olhares confusos.

— Vou patinar. Por quê?

— Está louca? – Coloco as mãos na cintura, encarando-a incrédula. — Você pode cair, a água gelada pode te deixar doente. Se isso acontecer eu não vou cuidar de você.

— Mas Lu... Está firme, olha. – Vira em direção à piscina e coloca um pé sobre a água congelada. Mordo o lábio inferior, receosa. — Eu não vou cair.

— Eu também, Mãe. Eu também.

Leo levanta os braços e corre em direção a Valentina, minha esposa agacha no chão de braços abertos para recebê-lo. Fecho os olhos durante alguns segundos, não quero ver se eles caírem nessa água gelada. Mas ao invés de ouvir gritos, apenas ouço as risadas dos dois. Volto a abrir os olhos, deparando-me com Valentina e Leo de mãos dadas, girando sobre a água congelada.

— Vem, amor.

— Mommy, vem brincar com a gente.

Os dois me chamam e eu prontamente nego com a cabeça. Eu que não vou me arriscar e acabar caindo nessa água gelada. Prefiro ficar apenas olhando eles se divertindo, não preciso de nada mais que isso. Valentina e Leo brincam de apostar corrida ou arriscando manobras, os sorrisos em seus rostos é o suficiente para fazer valer todo o meu dia.

***

— Nós terminamos por aqui, meninas. Estou adorando ver o bom desempenho de vocês. – Olho para as minhas alunas e elas sorriem animadas. Boa parte dessa classe em especial é de mulheres acima dos 30 anos de idade, casadas à anos dispostas a inovarem em seus casamentos. Por isso as aulas de pole dance. — Nos vemos no próximo... – Uma delas pigarreia interrompendo minha fala, eu pressiono os lábios e a olho em entender. Dorothy, uma das alunas aponta com a cabeça em direção a porta. Olho naquela direção apenas para sorrir ao ver nada menos que minha bela esposa encostada na parede ao lado da porta, uma caixa prateada em suas mãos. — Estão todas dispensadas, nos vemos no sábado.

— Tchau, Luiza!

Elas se despedem em coro. Aceno e aperto as mãos de algumas. Aos poucos a sala fica vazia, guardo algumas coisas que estão espalhadas. O som dos sapatos de Valentina ressoa pelo ambiente, um sorriso surge de novo em meu rosto. Sinto as mãos dela em minha cintura e seu corpo colar-se ao meu.

— Quanto custa uma aula particular, Professora Buiar? – Ela sussurra em meu ouvido, arrepiando-me.

Maldita!

— Professora Buiar, huh? – Viro-me de frente para ela, passo meus braços por seu pescoço, abraçando-a. — Gostei disso. – Fico na ponta dos pés para conseguir beijar ela. Valentina está usando salto alto e eu não estou usando sapatos, portanto nossa altura ficou bem desproporcional. — Para você as aulas são de graça.

— Bom saber. – Ela pressiona os braços em minha lombar e me puxa para cima, capturando meus lábios com os seus. Fecho os olhos e agarro seus cabelos, abro a boca para acompanhá-la melhor. — Que saudade dessa boca maravilhosa.

— Não tem nem três horas que nós demos o último beijo.

— Eu sei. – Ela me solta devagar no chão. — Mas eu poderia te beijar o tempo inteiro. – sela nossos lábios. — Aqui, são seus favoritos. Dessa vez eu acertei.

Entregou-me a caixa prateada, que finalmente pude ver que é uma caixa de chocolates recheados. Sorrio para ela antes de praticamente pular em seu pescoço e atacar sua boca. Valentina me puxa para o seu colo e eu envolvo minhas pernas em sua cintura.

*

— Eu não acredito nisso, Valentina! Você deveria ter me contado.

Reclamo indignada. Estamos no carro voltando para casa e eu não estou nem um pouco feliz em saber do que Valentina acaba de me contar.

— Pequena, eu não achei necessário. – Olho indignada para ela, Valentina está com o olhar focado na estrada, mas ela sente meu olhar sob ela. — Eu sabia que você iria ficar assim.

— É óbvio. Além do mais você deveria me consultar antes de tomar decisões como essa.

— Mas amor, é só uma festa do pijama. – Eu simplesmente odeio o fato de Valentina ser tão calma ao ponto de quase nunca levantar a voz. Sinto vontade de socar ela por não saber discutir direito, sempre sou eu quem perco a paciência. E ela continua com a mesma calma de sempre. — Não é como se ele nunca tivesse ido a uma antes.

— As outras foram na casa dela?

— Não, mas...

— Exato! – Exclamo em tom óbvio e ela ri. — Juro por Deus que vou tacar sua cabeça no volante se continuar debochando de mim.

— Eu não estou debochando. –_ Reviro os olhos. — Relaxa, Lu. Todos os amigos deles da escola estarão lá também. Além do fato óbvio.

— Qual? – Olho para ela com uma sobrancelha erguida.

— Eles são crianças, Luiza.

— Você não entende. –_ Resmungo cruzando os braços e puxo os pés para cima do banco. Sei que estou parecendo uma criança mimada. Mas é tão difícil controlar esse lado possessivo e ciumento em relação ao Leo. — Era para ser nossa noite da pizza e jogos.

— Ainda podemos fazer isso. Você e eu. – Valentina desacelera o carro e entrar na garagem de nossa casa. Quando ela para, sua mão vem para minha coxa, onde ela aperta e acaricia. — Que tal?

— Não.

— Não? – Ouço o barulho do cinto de segurança dela sendo destravado. Valentina tira a mão de minha coxa, recuso-me a olhar para ela. Sei que ela está tramando algum plano sexual para me convencer. — Nem mesmo se eu te fizer uma massagem. – Sinto sua respiração bater contra o lóbulo da minha orelha. Resista, Karla! Resista! — Depois posso preparar seu banho com aqueles sais especiais que você comprou. – Um beijo é depositado em meu pescoço, encolho o corpo por reflexo. — Então depois que você se vestir, nós podemos ir para a sala. Eu vou te deitar no sofá, massagear seus pés. – Ela vai sussurrando em meu ouvido, fazendo questão de tocar minha pele com seus lábios. — Depois eu vou pedir nossas pizzas e enquanto ela não chegar, vou me ajoelhar para você e te chupar bem gostoso. Devagar e forte, do jeito que você gosta.

Maldita criatura dos infernos! Isso é uma tentação a libido das pessoas. Deveria ser pecado ter uma mulher dessas falando esse tipo de coisa no seu ouvido com essa voz rouca, deliciosa... Céus! Que inferno de mulher.

— Para de tentar me seduzir. Pequeno demônio.

Valentina solta uma risadinha erótica próximo ao meu ouvido, sinto os pelos do meu corpo se arrepiar. Ela passa os lábios em meu pescoço, fecho os olhos já me rendendo a ela. Mas de repente, não sinto o calor de seu corpo. Abro os olhos, confusa. Intrigada... Intrigada e quente.

Molhada, fodidamente molhada.

— Eu tenho a novidade.

— Sério? – Isso não foi uma pergunta de alguém que está com curiosidade, e sim de alguém que está confusa e excitada.

— Sim. – Ela me olha sorrindo. — Consegui deixar minha agenda livre durante o mês que vem todo.

— Hm... – Desvio olhar, não querendo demonstrar quão frustrada eu estou. — E daí?

— Como assim "E daí?" – Ergo os ombros sem entender. — Pequena, mês que vem. Lembra que conversamos sobre aquele assunto?

Sinto minha testa franzir quase que automaticamente. Volto a olhar para Valentina sem entender do que ela está falando. Começo a buscar em minha memória sobre o que planejamos para o mês que vem. Mas não penso em nada além de... Oh Deus!

— Espera... – Solto meu cinto de segurança sem desviar o olhar dela. — É o que eu estou pensando?

Valentina abre um enorme sorriso. — Sim, meu amor. Podemos começar o tratamento mês que vem.

— Valentina! – Salto do meu banco para o colo dela. Minha esposa ri e afasta o banco para trás, nos dando mais espaço. — Meu Deus! Eu nem sei o que falar. Eu, eu... Caralho.

— Boca suja. – Inclina a cabeça para frente e morde de leve a ponta de meu nariz. — Vamos aumentar nossa família, bebê. Eu sinto que dessa vez tudo vai dar certo.

— Claro que vai. É óbvio que vai! – Seguro seu rosto em minhas mãos e encho-a de beijos. — Não posso acreditar que vamos ter mais um filho. Eu estou tão feliz.

— Eu também, amor. Eu também.

Chega um momento da sua vida, que palavras são incapazes de definir seus sentimentos, e é impossível, expressar o tamanho da sua felicidade. É assim que estou me sentindo agora.

Com uma felicidade impossível de definir e um sentimento maior do que eu.

Como se fosse um amor incondicional pelo futuro ao lado dela.

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