ZingTruyen.Xyz

𝐕𝐀𝐋𝐔 ✓ • 𝐒𝐓𝐔𝐏𝐈𝐃 𝐖𝐈𝐅𝐄 •

18

ThaisHyuuzumaki


— Essa aqui, no nosso baile de formatura.

Valentina diz e aponta para uma das milhares de fotos penduradas ali, vou até ela e olho para a foto. É impossível não sorrir ao ver a versão mais nova minha e de Valentina juntas, na foto eu estou sentada de lado em seu colo, Valentina está com a cabeça recostada em meu colo, seus olhos estão fechados e ela sorri. Meu sorriso na foto não é menor que o dela, parecemos felizes. 
 

— Nós fomos juntas?

— Sim. — Continuo olhando para a foto, tento forçar minha mente para me lembrar desse dia, mas nada acontece. — Eu aluguei uma limusine gigante, você quase enfartou quando viu.

Ela conta e gargalha, olho para ela e sou contagiada pelo som de sua risada. Sua cabeça sendo balançada de um lado para o outro, Valentina morde o lábio inferior e olha para baixo.

— Isso é a sua cara. — Ela levanta a cabeça ao ouvir meu comentário. — Me lembro bem do quão exagerada você era no colégio, acha que me esqueço daquela sua moto gigante?

— Ela nem era tão grande assim.

— Era sim. O dia que você me deu carona, eu quase morri, eu pensei que sairíamos voando com aquele troço.

— Que exagero, amor. — Mordo os lábios e dou um pequeno sorriso ao ouvi-la me chamar daquele jeito. — E-eu... Saiu sem querer.

Olho para ela que está com as bochechas coradas, junto as sobrancelhas confusa.

— O quê?

— Eu te chamei de amor... Foi sem querer.

Esclarece e a expressão em meu rosto suaviza, hesitante dou um passo para mais perto dela. Valentina me olha quase sem piscar, e se mover. Nem sei dizer se ela está respirando, mas acho que não. Aproximo meu rosto do seu e quando estou prestes a juntar nossos lábios, o celular dela começa a tocar. Saltamos uma para longe da outra por causa do susto.

— Jesus!

Exclamo levando uma mão até meu peito, Valentina solta uma risadinha nervosa e busca pelo aparelho em seus bolsos, quando ela finalmente o acha logo atende a ligação.

— Oi, pai. — Me recupero do susto aos poucos. — Não, eu vim dar uma volta com a Lu... Sim, nós viemos aqui no sítio. — Ela me olha e sorri enquanto ouve o que seu pai diz. — Já estamos indo, okay.

— Vamos embora?

É impossível não notar a decepção na minha voz, e com certeza Lauren notou.

— Sim, mas nós podemos voltar amanhã ou quem sabe dormir aqui...

— Aqui?

— Não aqui na casa da árvore, mas na casa lá na frente. — Ela explica apressadamente e eu acabo sorrindo de seu jeito meio afobado. Valentina se afasta da parede e ajeita suas roupas. — Vamos?

Me chama e apenas concordo com a cabeça, estamos quase saindo da casa quando eu a seguro pelo pulso. Valentina me olha sem entender e antes que ela possa falar algo, seguro seu queixo com minha mão livre e selo nossos lábios. Ela suspira com força, o ar batendo contra meu rosto. Sinto Valentina apertar minha cintura e então aprofunda o beijo. Nossos lábios se movendo lentamente, como se estivéssemos dançando uma valsa.

— Só para deixar claro, eu gosto quando me chama de amor.

Confesso após pararmos o beijo, me afasto um pouco de Valentina e a vejo abrir um enorme sorriso. Zeus! Que sorriso mais perfeito ela tem. Eu acho que tenho uma queda por ele.

Na verdade tenho um abismo por ela inteira... E só parece aumentar.

Eu simplesmente não consigo tirar os olhos dela.

//

Estamos de volta na casa dos pais dela, andamos lado a lado em silêncio. Lá dentro o único barulho que se ouvia era o da televisão, olho para a sala e vejo Leo deitado no colo de Michael. Clara não está por aqui, mas nem sei se quero saber onde ela está. Se for para ela ficar chateando Lauren, quero ela o mais longe possível.

— Quer descansar?

— Um pouco.

Admito porque é a verdade, me sinto cansada, tanto por causa do almoço e a caminhada no sítio depois quanto com a descarga de emoções que tive com a dança e os beijos que troquei com Valentina. Eu só preciso dormir por algumas horas e acordar renovada.

— Vamos subir então, vou te mostrar seu quarto. — Subo junto dela, andamos em silêncio até parar em frente a terceira porta da esquerda naquele extenso corredor. — Aqui, eu vou ficar nesse quarto da frente e o Leo se você quiser pode ficar com você, ou comigo, sem problemas.

— Podemos revezar.

Sugiro e ela sorri, acenando com a cabeça. Ficamos nos olhando durante alguns segundos, não precisamos dizer nada uma para a outra. Se antes a presença dela me deixa desconfortável, hoje me deixa segura. Valentina me transmite uma segurança imensa, do lado dela eu me sinto protegida. Incrível como ela causa isso em mim.

— Então eu vou lá pra baixo... Se quiser tomar banho, fica à vontade, okay?

— Okay.

— E... — Ela pressiona os lábios e fecha os olhos por alguns segundos, quando volta a abri-los eles estão brilhando, intensos. Valentina segura meu rosto com delicadeza, ela aproxima a boca da minha com cautela, como se estivesse pronta para se afastar caso eu a rejeitasse. Quando me beija, suga meu lábio inferior com calma, bem devagar. Arfo em sua boca, Valentina pressiona os dedos em meu maxilar e sela nos lábios. — Bom descanso, amor.

Sussurra, sorrindo em seguida. Sorrio da mesma forma e vejo ela se afastar, ouço seus passos se distanciarem, mas continuo ali, parada. Levo meus dedos até minha boca, toco meus lábios, sentindo eles formigarem ainda.

Ah, Valentina Buiar... O que você está fazendo comigo?

//

— Fique por mim...

— Me mostre que você ainda me merece, Luiza.

Sabe aquela sensação de sonhar que se está caindo? É assim que estou me sentindo. Minha respiração está descompassada, eu sinto o suor por todo meu corpo, a blusa que estou vestida parece grudar em minha pele a cada vez que respiro para recuperar o fôlego. Engulo seco, arfando olho em volta... Tudo está escuro, ainda estou na casa dos pais de Valentina e não tem ninguém aqui.

— Malditos pesadelos!

Murmuro para mim mesma e volto a deitar na cama, olho para o teto forrado por madeira. No centro o lustre cheio de pedrinhas me chama a atenção, me distraio olhando para ele e só volto a realidade ao ouvir o clique na porta, em seguido um rangido. Levanto o pescoço para ver quem é e não enxergo ninguém de primeira, me estico mais um pouco e só então vejo Leo adentrar o quarto devagarzinho, como se não quisesse ser notado. Ele ainda não notou que estou acordada, em seguida vejo Valentina também adentrar o quarto, ela faz o mesmo que nosso filho e entra em silêncio. O que diabos eles estão aprontando?

— Mãe?

— Estou aqui, filho. — Valentina responde ao sussurro de Leo. Rapidamente me deito corretamente e fecho os olhos, mas abro uma pequena fresta para poder ver o que eles iriam fazer. — Cadê o chantilly?

O quê?

Pelo canto do olho vejo a sombra de Valentina, em seguida ela liga o abajur e posso então ver melhor os dois. Tento me manter parada, para que eles não notem que já estou acordada. Leo entrega para Valentina a lata em sua mão, ela sorri para o pequeno e retira a tampa da lata.

— Quando ela acordar você sai correndo, entendeu? — Valentina olha para o meu rosto e com toda calma do mundo pega minha mão, abre a mesma, deixando minha palma a sua mercê, logo ela espirra um monte de chantilly em minha mão. Tenho que me controlar para não me encolher ao sentir aquele negócio gelado em minha mão. — Quando eu chegar no três, ok? Um, dois, trê-

Corto sua fala ao segurar em sua nuca, abro os olhos e Valentina me olha com os dela arregalados. Sorrio diabolicamente e antes que ela possa correr, lambuzo toda sua cara com o chantilly que estava em minha outra mão. Ouço a porta ser aberta e alguns passos no corredor, o pequenino fugiu, mas eu posso pega-lo depois. Valentina se solta de mim e vai andando para trás, esfregando seu rosto com as mãos freneticamente.

— Que bonito, não é mesmo? — Minha voz sai assustadoramente calma, retiro o cobertor de cima das minhas pernas e me viro, levanto da cama e vou na direção de Valentina, que se encolhe na parede. — Que covardia da sua parte me atacar enquanto eu estou dormindo, não acha?

— E-eu... Foi ideia do Louis, diz pra ela fi... Ué cadê ele?

— Foi embora.

— Traidorzinho. — Resmunga e passa as mãos sujas com chantilly em sua bermuda. Continuo a olha-la, tento fazer meu melhor olhar sério e quando ela me encara, eu consigo ouvir o som da saliva sendo engolida por ela. — Eu juro que não foi ideia minha.

— Eu vou te dar cinco segundos para sumir da minha frente. — Rosno entredentes, Valentina continua paralisada, parece surpresa ao me ver falar daquela forma. — Um, dois, três... Boa garota.

Assim que ela passa como um raio através da porta, eu começo a gargalhar, mas com bastante vontade mesmo. Aquela situação era tão engraçada e cômica, por um momento me senti no colegial outra vez, quando Valentina aprontava pegadinhas para cima de mim e depois eu saia correndo atrás dela para matá-la.

Pensando por um lado as coisas não parecem tão diferentes assim, mas isso não é ruim... De forma alguma.

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