15
Depois do jantar, subi para colocar Leo na cama, mas ele estava inquieto, não queria dormir antes de dar um beijo em Valentina.
— Mommy, chama a mama pra vir me dar um beijo de boa noite, por favor.
Implora com os olhinhos brilhando. Como negar algo para ele? Se ele me olha com esses olhinhos cinzas tão lindos e essa carinho fofa, como? É impossível.
— Tudo bem. — Concordo e ele sorri, pega a chupeta e coloca em sua boca. Preciso começar a ensinar ele a dormir sem isso, já passou da hora dele largar a chupeta. — Já volto.
Ele apenas acena e agarra o tigre de pelúcia que está em seus braços. Levanto-me do chão e saio do quarto, a porta do quarto onde Valentina dorme está aberta, o que quer dizer que ela não está ali. Desço as escadas em busca de Valentina, nada de sala, penso em ir em seu escritório mas, ao ver a luz da cozinha acesa deduzo que ela está lá.
— Tina...
Me calo ao me deparar com aquela cena, engulo seco e travo no lugar. Valentina está encostada em um dos balcões da cozinha, ela lê algo em seu aparelho celular enquanto come alguma fruta que está no pequeno pote verde ao seu lado. Mas o que me chamou a atenção não é o que ela está fazendo e sim a forma que ela está vestida. Pigarreio e balanço a cabeça, tentando em vão desviar a atenção de suas pernas.
— Que susto, porra. — A voz alarmada de Valentina me faz voltar a olhar seu rosto, ela está com uma mão na boca e os olhos meio arregalados. — Desculpa, você me assustou, amor.
Amor...
Poderia até tentar pensar em alguma coisa mais coerente, mas por que raios as pernas dela parecem tão atrativas? Por que Valentina está usando essa camisola, robe, não sei o que é. E por que eu simplesmente não consigo raciocinar ou ter reação de não olhar para ela?
Valentina parece ter algum tipo de áurea sexual que te atraí como um imã. Não é porque não me lembro de alguns anos da minha vida que parei de apreciar a anatomia feminina, afinal, sempre gostei de admirar as garotas da escola. E admito... Valentina sempre foi uma delas.
Mesmo sendo irritante e idiota, Valentina sempre foi linda. Confesso.
— Ou? Tudo bem? — Valentina estala seus dedos em frente ao meu rosto, salto com o susto e quase caio no chão, mas Valentina me segura pelos ombros. — Está sentindo alguma coisa? Você está meio pálida.
Sua voz demonstra preocupação, balanço a cabeça negativamente. Valentina solta meus ombros e dá um passo para trás, mantendo o olhar em meu rosto, estudando-o com cautela, como se estivesse se certificando de que está mesmo tudo bem comigo.
— Eu estou bem, eu só...
— Quer cereja? — Valentina me interrompe, olho para ela e a vejo pegar o mesmo potinho que vi antes. — Essas estão doces, do jeito que você gosta.
Ela pega uma cereja e leva até sua boca, seus lábios envolvem a pequena fruta e ela fecha os olhos para saboreá-la. Meus lábios se abrem um pouco sozinhos, minha respiração falha e tenho que me controlar para não pensar besteira alguma. Por que de repente tudo em Valentina me faz pensar em algo sexual?
Foi a maldita dança... Maldita Bachata!
— Eu não quero, não, obrigada. — Finalmente consigo dizer, Valentina dá de ombros e pega outra cereja. — Eu vim te chamar, Leo pediu que você fosse dar um beijo nele de boa noite.
— Hm. — Valentina se afasta do balcão e deixa o pote em cima do mesmo, limpa a boca com as costas de sua mão. — Eu esqueci de ir lá falar com ele.
Sorri sem jeito ao passar por mim, apenas dou um sorriso de lado, abaixo a cabeça e espero ela passar. Olho para as costas de Valentina e meus olhos automaticamente descem até sua bunda, que se move graciosamente enquanto ela caminha. Tudo ficou em câmera lenta ou é só na minha cabeça?
Luiza Camila!
— É... Conviver com Valentina Buiar não vai ser tão fácil quanto eu pensei.
//
Ruídos, ruídos e passos rápidos. Fecho os olhos com mais força, sei que não estou dormindo mais, só que me sinto um pouco sonolenta ainda, então apenas mantenho os olhos fechados com a esperança de voltar a dormir logo.
Mais passos... Passos apressados, pesados.
Abro os olhos, pisco algumas vezes por conta da claridade no quarto, viro-me um pouco de lado e vejo que a luz do banheiro está acesa e a porta aberta, por isso a claridade no quarto. Até porque as cortinas são escuras, e bem grossas. Então a vejo, fecho os olhos e volto a abri-los em seguida. Ela ainda está ali.
Valentina está terminando de vestir uma calça, aparentemente justa já que ela parece ter um pouco de dificuldade para subir a peça. Ela está sem blusa, ou seja, estou vendo-a seminua.
— Merda.
Ela pragueja baixo ao bater o pé em alguma coisa, prendo uma risada. Valentina termina de vestir sua calça jeans escura e vai em direção ao closet, seus passos apressados e fundos ressoam por ali. Então a barulheira foi causada por ela.
Giro sobre o colchão, ficando de barriga para cima. Olho para o teto e bocejo, esfrego meus pés, com as meias de banana que vesti noite passada. Espreguiço-me e ouço a porta do closet ser fechada, com um pouco de força. Olho para baixo e vejo Valentina de olhos fechados, seu olhar encontra o meu e sua expressão se torna culpada.
— Te acordei? Desculpa, amor, foi sem querer.
Se desculpa rapidamente, agora ela está vestida corretamente. Uma blusa de lã branca, com a gola um pouco alta e as mangas compridas. Amor... Outra vez, ela voltou a me chamar dessa forma. Não me sinto incomodada, apenas esquisita.
— Na verdade eu estou acordada a alguns minutos. — Confesso em meio a um bocejo. Valentina suspira parecendo aliviada. — Onde vai com tanta pressa?
Tento soar o mais casual possível para não demonstrar minha curiosidade extrema. Valentina ajeita a gola de sua blusa e dobra um pouco as mangas.
— Tenho que levar Leo para escola e depois vou com a Normani tirar algumas fotos no parque central, está nevando, é perfeito para se tirar fotos.
— Você vai levar um casaco, não vai?
Simplesmente não posso evitar o zelo por ela, se está nevando deve estar frio, então sinto a necessidade de saber que ela vai sair bem agasalhada, e Leo também.
— Vou.
Concorda, um enorme sorriso em seu rosto. Sento-me na cama e estico os braços, a blusinha que estou vestida sobe um pouco deixando minha barriga amostra e me encolho com o vento gelado que bate em minha pele quente.
— Agasalhou ele direito? — Valentina concorda com a cabeça, um pequeno sorriso em seus lábios. — Tudo bem... Se cuida.
— Não quer ir?
Olho para ela e penso, eu até gostaria de ir. Mas está nevando, ou seja, deve estar congelando lá do lado de fora e tempo frio só é bom para entrar debaixo das cobertas e comer besteiras o dia inteiro enquanto assisto algum seriado qualquer.
— Está muito frio.
Faço uma careta que causa uma gargalhada em Valentina, ela joga a cabeça para trás e ri como se eu tivesse contado a melhor piada do mundo. Esboço um pequeno sorriso, observando-a.
— Sabia que iria dizer algo assim.
Toc toc.
— Mãe?
— Entra, filho.
A porta é aberta e por ela uma bola pequena de casaco adentra o quarto. Uma vontade de rir começa a crescer dentro de mim, Leo está quase irreconhecível, penas dá para ver seus olhos, que parecem mais claros agora, em sua cabeça ele está usando uma touca com enormes orelhas, quase tampando todo seu rosto, um enorme casaco preto e calça de moletom, aparentemente bem grossa. E nos pés um par de coturnos, isso é influência de Valentina.
— Bom dia, mommy.
— Bom dia, Leo. — Arrasto-me para a beira da cama, abaixo um pouco para beijar a ponta de seu nariz, Leo sorri com a língua entre os dentes e franze o nariz. Sorrio. — Está parecendo um frango empanado, sabia?
Brinco com ele e Valentina gargalha, acabo por rir também quando Leo cruza os braços e fecha a expressão de seu rosto. Acaricio suas bochechas, ele se esquiva do contato e dá dois passos para trás.
— Vamos, filho? — Valentina o chama caminhando até ele e Leo nega com a cabeça. Valentina suspira e se ajoelha em frente a ele. — O que foi?
— Mãe, vamos fazer anjos na neve? — Implora, fazendo beicinho. Fico atenta a interação dele e Valentina. — Eu já fui para a escola ontem, não preciso ir hoje, por favor?
Ele descruza os braços e agarra o pescoço de Valentina, ouço Leo murmurar pedidos para que Valentina não o leve para a escola. Valentina me olha por cima do ombro como se perguntasse se estou de acordo, apenas dou de ombros e ela levanta, pegando aquela pequena bola de roupas no colo.
— Tudo bem, que tal eu ligar para tia Dinah e tia Ally? Talvez Toni e Will resolvam se juntar a gente.
— Sim!
Leo grita animado, agitando-se no colo de Valentina, ela sorri e dá um giro, que faz Leo gargalhar enquanto ela morde de leve suas bochechas.
— Tem certeza que prefere ficar na cama? — Valentina pergunta e olha para mim, ela e Leo estão com os rostos grudados, olhando-me com olhares pidões. Reviro os olhos e Valentina abre um sorriso. — Vamos, Lu, você não vai se arrepender.
Garante e eu solto um longo suspiro. Bem, não acho que seja um sacrifício tão grande levantar da cama e aproveitar o dia com eles, certo?
— Tudo bem, eu me rendo, vou com vocês.
— Oba!
Leo e Valentina gritam juntos, levantando as mãos e rodando. Acabo por rir das brincadeiras dos dois.
Essa é minha família... Eu gosto disso.
//
Chegamos em algum tipo de parque, bem extenso por sinal. Pude ver através da janela diversas crianças correndo em meio a neve branca. Leo saltitava no banco detrás do carro, ansioso para brincar logo na neve também. Olho para Valentina e a vejo sorrir, observando o pequeno agitado através do espelho.
— Ele gosta mesmo disso, não gosta?
— Ele ama a neve, ainda mais quando nós o trazemos aqui.
Valentina responde e eu sorrio. Sinto-me feliz em ver meu filho dessa forma.
— Mãe, a porta, abre a porta.
Nós damos risada de sua afobação, Valentina solta seu cinto de segurança e destrava as portas, em segundos Leo a abre e salta do carro. O observo preocupada, não quero que ele caía e se machuque, mas por sorte ele consegue correr sem escorregar na neve. Pelo menos ele não puxou meu lado estabanado.
— Preparada para levar boladas?
Olho para Valentina que me lança um olhar de desafio. Impressão minha ou ela meio que está me chamando para um duelo?
Abro um sorriso malvado e empino nariz, solto meu cinto e inclino-me um pouco para frente, fazendo questão de manter o contato visual com ela.
— Eu que deveria fazer essa pergunta.
Balanço as sobrancelhas e Tina sorri, sabendo que entrei em sua brincadeira. Valentina vira um pouco de lado e me olha pelo canto do olho.
— Espero mesmo que esteja pronta.
É tudo que ela diz antes de abrir a porta e sair do carro, solto uma risadinha nasal e nego com a cabeça. Você não perde por esperar, Valentina Buiar.
Ao sair do carro quase sou atingida por pequenas criaturinhas brincando de correr, olho bem e vejo Leo perdido no meio deles. Sorrio para meu filho enquanto o observo se divertir com seus amigos.
— Você nunca perde mesmo esse cara olhar de mãe orgulhosa.
Ouço a voz de minha irmã e olho para meu lado esquerdo, deparando-me com Allyson toda agasalhada. Sorrio para ela e a puxo para um abraço.
— Não tem como perder esse olhar tendo Leo como filho.
— Que bom que você está assim. — Dou um beijo em sua testa e nos afastamos. — Você sempre o amou tanto, fico feliz em ver que mesmo sem memória esse amor ainda existe.
— Eu também fico feliz.
Confesso e ela sorri para mim, sorrio de volta. Busco Leo com o olhar, demoro alguns segundos para acha-lo, mas logo encontro ele sendo lançado para cima por Valentina, ao seu lado reconheço Normani, Normani Hamilton, a melhor amiga de Valentina desde que eram apenas bebês. Ela olha para mim e acena, aceno de volta sorrindo.
— Aquela é a Normani?
Pergunto a Ally apenas para confirmar, minha irmã olha na mesma direção que eu.
— Sim, ela mesma.
— Ela mudou bastante, cortou o cabelo.
Ficou gostosa, penso sem conseguir evitar. Olho para as pernas dela, impossível não vê-las através daquela calça leggin preta. Normani sempre teve um corpo de dar inveja, mas ela parece mais bonita do que antes.
— É, ela agora é uma das modelos bem pagas do mundo. — Ally me conta e abro a boca, surpresa. — Só que agora ela está de férias, aproveitando um tempo com o noivo, sua esposa e ela estão trabalhando juntas.
— É, Valentina me disse.
— Mamãe.
Minha atenção é desviada ao ouvir aquela voz, olho para baixo e vejo um pequeno loirinho agarrado nas pernas de Ally, minha irmã sorri para ele e acaricia seus cabelos.
— Oi, anjinho. Comprou suas balas? — Ele acena com a cabeça freneticamente. — Sua tia ali, vá falar com ela.
Então ele me olha, sorrio para ele. É a cópia fiel do Troy, além dos cabelos loiros, ele também tem olhos claros e o rosto lembra bastante o do pai, apesar da boca dele ser idêntica a de Ally.
— Tia Tina.
Ele solta a perna de Ally e vem agarrar a minha, não posso evitar me emocionar, é tão inédito para mim ter sobrinhos, ver minha irmã casada, com família e toda responsável. Mais responsável do que ela já era. Enfim, isso tudo é muito novo para mim.
— Oi, Will.
Ele segura minha mão e beija as costas da mesma, ele acena para mim e depois sai correndo. Fico ali parada o observando.
— Ele é a cara do Troy.
— É mesmo.
— Serena perguntou por você ontem.
Olho para Ally, que respira fundo, soltando o ar pela boca e fazendo fumaça por causa do frio.
— Ela já sabe sobre...?
— Sim, sim. — Umedeço meus lábios. — Se ela não tivesse projeto na escola hoje, teria trago ela comigo. Ela sente sua falta.
— Estou doida para conhecer ela, ou melhor, reconhecer.
Ally sorri sem jeito e faz sinal com a cabeça, indicando algum lugar para nos sentarmos. Continuamos conversando enquanto caminhamos em direção a um banco, estou prestes a sentar quando algo pesado colide com minhas costas. Ally gargalha alto, parecendo achar graça de alguma coisa. Me viro e busco com o olhar para saber o que foi que me atingiu e quem me tacou sei lá o que. Então vejo Valentina à alguns metros de distância, um sorriso presunçoso em seus lábios enquanto ela joga uma bola de neve para cima.
— Você não deveria ter feito isso.
Eu sussurro para mim mesma, ajeito o cachecol em meu pescoço e abaixo-me para pegar um pouco de neve e fazer uma bola.
Que comece a guerra, Buiar!
//
E a guerra foi intensa... No final da tarde estávamos todos, sem exceção alguma, cobertos de neve. Fizemos todo mundo que estava naquele parque entrar em nossa guerrinha de neve. No final de tudo, meus cabelos estavam cobertos de neve, e Valentina tirou diversas fotos novas do nosso momento de diversão.
Foi um dos melhores dias da minha vida.
Ally teve que ir embora, pois segundo ela tinha que buscar Serena na escola hoje, já que o transporte escolar não estava funcionando por causa da neve, e também Will estava cansado e com fome. Normani veio me cumprimentar, de perto ela estava ainda mais bonita e completamente diferente da adolescente que eu me lembrava, agora ela é uma mulher feita. Só que veio conosco até em casa foi Dinah, com Toni em seu próprio carro.
Subo para tomar um banho e deixo Valentina e Dinah na sala, elas estão assistindo televisão e Leo e Toni estão no quarto brincando de alguma coisa que envolve piratas. Depois do banho me visto com uma calça de moletom bem larga, acho que é de Valentina e pego um de seus moletons em sua parte no closet. Bem que Ally disse que eu tenho mania de pegar as roupas de Valentina.
Estou prestes a descer as escadas, mas paro no lugar ao ouvir uma conversa um tanto estranha entre Dinah e Valentina. Sento em um dos primeiros degraus e abaixo um pouco para ver elas.
Valentina está com a cabeça no colo de Dinah, recebendo os carinhos e afagos que minha melhor amiga está fazendo. Elas parecem conversar sobre algo sério, pois o semblante de Dinah demonstra preocupação.
— Vocês ainda não conversaram sobre isso?
Valentina solta um suspiro e nega com a cabeça, fechando os olhos.
— Não, eu tenho medo de contar a ela e não sei... Lu ainda é muito instável, se ela surtar e resolver ir embora por causa disso?
Sinto um nó se formar em minha garganta, elas estão falando de mim. Mas do que elas estão falando exatamente? Valentina está me escondendo alguma coisa? E por que o medo de eu ir embora caso descubra?
— Mas, Tiger, você sabe que uma hora ou outra ela vai descobrir, não sabe?
— Eu sei... — Valentina se remexe um pouco no sofá e senta, coloca o rosto entre as mãos. — Eu estou com tanto medo, Bear.
Dinah se arrasta sobre o sofá e abraça Valentina por trás, envolvendo seus braços na cintura dela e puxando-a contra seu corpo.
— Não fique, nós sabemos que Luiza costuma ser bem impulsiva, mas não acho que ela será radical ao ponto de te deixar por causa disso.
Engulo seco e me recosto no corrimão da escada, meu coração acelerado e a mente trabalhando a mil, penso em mil e uma possíveis causas sobre o motivo da conversa das duas.
O que Valentina está escondendo de mim?
//
Depois daquele episódio estranho entre Valentina e Dinah, voltei para a sala e nós três ficamos conversando. Eu ainda me sentia estranha perto das duas, queria enfrenta-las e perguntar sobre o que elas estavam falando antes, o que estão escondendo de mim. Mas quero que Valentina me diga, quero ouvir da boca dela. Parece ser algo sério.
Não se fico mais preocupada ou com medo.
— É, já deu minha hora, tenho que ir porque tenho marido e filho para cuidar.
Dinah comenta ao ficar de pé, Valentina e eu estamos com a mesma expressão, carinha triste e um biquinho na ponta dos lábios.
— Fica mais um pouco, Chee.
Peço quase implorando, vou até ela e me agarro em sua cintura. Dinah solta uma risadinha e me abraça, mas me solta segundos depois.
— Se eu pudesse ficaria mesmo, mas tenho que ir. Ian vai chegar cansado do jogo de hóquei que ele foi hoje, e Toni também deve estar com fome, eles são uns monstrinhos que comem mais do que você e Valentina juntas.
— Ei!
Valentina e eu reclamamos juntas, o que acaba nos causando uma risada.
— Não vai se despedir de mim não?
Dinah fala para Valentina e abre os braços, olho para ela que em segundos está de pé, seu corpo colidindo com o de minha melhor amiga, que dá alguns passos para trás por causa do impacto. Acabo por sorrir com essa imagem, é adorável porque Dinah é alta por natureza e está mais alta ainda com esse salto alto, e Valentina é baixinha, então fica fofo de se ver.
— Dinah! — Valentina ralha batendo o pé no chão, Dinah joga a cabeça para trás e ri. — Você sabe que eu não vou alcançar sua bochecha assim, abaixa.
— Você é uma filhote de tigre, deveria saber pular.
Dinah rebate e Valentina bufa, tentando se soltar dela, mas Dinah a segura com força.
— Você é tão irritante.
— E você me ama.
— Não amo não.
— Ama sim. — Solta Valentina e sorri para ela, Valentina fica na ponta dos pés e tenta beijar o rosto de Dinah. — Você é muito baixinha.
Dinah implica e Valentina fecha as mãos em punhos, ela se vira e tenta se afastar, mas Dinah a segura pela cintura e mantém ela no mesmo lugar.
— Não quero mais te dar beijo nenhum também, me solta.
— Calma aí little tiger, eu deixo você me dar um beijo, vem cá.
Dinah coloca as mão no joelho e se abaixa um pouco, Valentina vai até ela e segura seu rosto pelo queixo, logo colando seus lábios na bochecha de Dinah, que sorri e abraça Valentina.
Olhando assim as duas parecem mãe e filha, por causa do carinho e também pela diferença de tamanho.
— Eu vou ir lá buscar o Toni e avisar que você já está indo.
Aviso para Dinah que apenas acena com a cabeça, ainda agarrada com Valentina. Sorrio para as duas e me viro para ir em direção a escada.
Mas ainda quero saber, o que elas estão escondendo de mim?
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